12 de março de 2015

Das flores do meu jardim...



A manhã seria bem corrida hoje, médico às 9 horas com um filho e o outro ficando com a mamis em casa.
Cheguei 10 e pouco e comecei a fazer o almoço. Deu aquela vontade de fazer o frango frito, daquele jeito que a vó fazia. Foi tão igual que antes de almoçar tive que passar pano no chão da cozinha, de tão escorregadio que tava por causa da gordura.

Ficou uma delícia!! Ainda comentei com o marido, tá que é gordura pura! Igual a panela da vó... me deu uma vontade de comer o frango assim hoje!

Terminado o almoço, apertei no celular pra ver que dia era, pra colocar a data na lição do filho.
E o susto! Aquela secura na boca, o coração disparado... ahh saudades!!!
Claro que hoje eu só poderia querer comer uma comidinha igual ao da vó... hoje seria aniversário dela, da Vó Margarida!

Eu não gosto de celebrar a morte, o dia da morte e nem mesmo lembrar do aniversário de quem já morreu. Do que adianta??
Sinto muita saudade de pessoas que se foram, mas não faz parte da minha natureza viver por quem está morto.
Vivi cada minuto que estive junto, intensamente. Mesmo quando não queria visitar, eu ia.
Mesmo quando brigava, eu continuava falando. Mesmo quando pegavam no pé, mesmo na doença, na chatice, na pegação de pé...

As primeiras flores do meu jardim a morrer foram minha madrinha e minha vó paterna. mas eu era pequena e as lembranças são poucas e boas, sem dor ou saudade.
Mas o meu primeiro grande amor a partir foi meu vô materno, o vô Hilário. Vivi intensamente ao lado dele cada minuto que pude desfrutar do seu ensinamento, da sua sabedoria, da sua paz e amor que refletia nas pessoas.
Ali eu entendi o que era perder alguém que se ama. Ali tive dimensão da dor da perda, do desespero que rasga a alma.
Mas entendi também, que quando fecham o caixão, ali fica a tua despedida, a última vez que "nos vemos".
Não adianta querer viver algo impossível. Viver sem a pessoa, mas como se ele estivesse aqui é uma dor que eu não consigo suportar.

Aprendi a lidar com a dor, com o amor, com a saudade, a angústia e o desespero. Não foi fácil!!
Meu vô esteve os último anos de vida mais aqui em casa do que na própria casa, por causa do tratamento que ele fazia aqui em Floripa.
O meu quarto, que era o melhor da casa por causa do sol, ficou pra ele.
Era ele quem dormia ali, que ficava deitadinho pegando aquele solzinho fraco de inverno nas pernas finas e envelhecidas.
Era o meu amor! Ah que saudades!! Não tem como lembrar e não chorar, não voltar no tempo e visualizar a cena.
Eu amava cuidar dele, subir com as frutinhas cortadas num potinho pra ele...
Mas eu amava ainda mais os momentos que ele ainda conseguia tocar um pouquinho de acordeon pra gente! Ele era maravilhoso!

Teve um ano, que estive 7 vezes no cemitério, me despedindo pela última vez...
Mas sempre tem aqueles que fizeram mais parte da nossa vida, e por isso, a saudade aperta mais.

Teve meu pai, ranzinza que só ele!! Amei com todos os defeitos que tinha, e sim, continuo amando sem nunca subtrair tais defeitos, que deixaram lembranças únicas!!

O mais engraçado de tudo, é que eu realmente não gravo as datas, e nem tento lembrá-las.
Mas assim como hoje, que meu coração lembrou da minha vó, eu vivo lembrando!

Um dia a saudade do pai apertou demais, amanhece pensando nele e assim foi o dia todo... de repente... entra um passarinho na minha sala de trabalho e pousa no fio da lâmpada, sobre a mesa.
Ele amava passarinhos!! 

De repente amanheço triste, manhosa, chorona, agoniada... uma profunda tristeza sem motivo algum. Ligo pra minha irmã, blá blá blá.... e logo ela vem: Deisy, tá tudo bem... será que isso tudo não é porque hoje é aniversário de morte do pai?

Tudo isso é pra dizer que ninguém precisa provar nada pra ninguém.
Todo mundo ama, todo mundo sofre.
Todo mundo perde e chora.
A dor não vai embora.
O corpo se acaba, a alma voa e vai embora.
A saudade existe, às vezes adormece. Mas não se maltrate!
O amor vive e permanece em nossos corações até que a gente, se torne saudade pra alguém.

E hoje eu sento aqui e escrevo, por ela, que adorava escrever!

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Deisy Régis Zimmermann Blogueira, designer e mãe, Modos & Moda
contato@modosemoda.com.br www.modosemoda.com.br
    



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