8 de junho de 2014

Kölnisch Wasser ou Água de Colônia





Um Italiano criou, em Colônia, na Alemanha, um dos mais famosos perfumes do mundo. A Água de Colônia.
Em 1708, Giovanni Maria Farina escreveu a seu irmão Jean Baptiste: “Eu encontrei uma fragrância que me faz lembrar de uma manhã de primavera italiana, de narcisos da montanha e de flores de laranjeira depois da chuva, que me refresca e estimula os meus sentidos e minha imaginação.”
Para sua fabricação, Farina experimentou uma nova técnica: sobre uma base de álcool muito concentrado diluiu óleos essenciais de limão, laranja, bergamota, cidra, toranja e uma mistura secreta de ervas. Com isto criou-se um novo conceito no setor de perfumes: o da colônia, um composto no qual a proporção de óleos de perfume de origem vegetal oscila entre 5% e 10%.
Farina 1709 Original Eau de Cologne fabricada pela empresa Johann Maria Farina gegenüber dem Jülichs-Platz foi criada pelo italiano Giovanni Maria Farina (1685–1766) no início do século XVIII. Giovane adotou o nome alemão posteriormente. Este aroma foi bastante inovador, pois se tratava de uma fragrância muito fresca em contraposição aos carregados perfumes (sobretudo franceses) que se usavam naquele período.
Numa época em que banhos eram esporádicos por acreditar-se que a água transmitia doenças, e a peste rondava a Europa, a aqua mirabilis criada por J. M. Farina fez grande sucesso. Os perfumes de então tinham por base canela, sândalo e almíscar, o que muitas vezes intensificava o mau odor das pessoas. A fórmula também era indicada para halitose, furúnculos, e dores em geral. Assim a aqua mirabilis era usada para perfumar e curar!

Batizada de Eau de Cologne, em nítida homenagem a cidade de Colônia, a loja da Obenmarspforten foi inaugurada em 1723 em frente à Prefeitura e abriga agora o Museu do Perfume.
Hoje em dia a oitava geração da família Farina ainda produz o mesmo perfume de acordo com a receita original que está patenteada e é guardada a sete chaves.  A Farina gegenüber é a mais antiga fábrica de perfumes do mundo em funcionamento. Em razão da Eau de Cologne a cidade de Colônia foi reconhecida na Europa entre os séculos XVIII – XIX como “Cidade das Fragrâncias”.


Guerra contra a pirataria
No século XVIII ainda não existiam direitos autorais, portanto, muitas pessoas começaram a copiar o a água de colônia, inclusive utilizando o nome Farina na embalagem.
Neste período mais de 25 empresas também compraram o direito de utilização, resultando em um grande número de falsos fabricantes a Eau de Cologne Farina. Todos produziam suas próprias águas de colônia e copiavam a embalagem e o nome do produto, mas suas fragrâncias não eram tão intensas como a original.
A Farina gegenüber lutou bravamente contra a pirataria que já existia à época, sendo vitoriosa em 1.200 processos, e liderou a proteção de marcas no Império Alemão. A primeira lei de marcas entrou em vigor em 1875.
Segundo a lenda, em 1792, Ferdinand Muehlens recebe de presente de casamento de um monge carthusiano a receita da aqua mirabilis, ele abre um comércio e na rua Glockengasse e vende o elixir. Em 1804 ele adquire o direito para utilizar o nome Farina, de um suposto membro da família, que mais tarde soube-se não tinha ligação com a família perfumista. Em 1881 a empresa perdeu o direito de utilização do nome Farina e Muehlens nomeou sua água de colônia de 4711 Original Eau de Cologne, que era o número da casa onde era fabricada a água de colônia, na rua Glockengasse. 
A 4711 é muito mais conhecida comercialmente do que a Farina 1709, tornando-se um clássico da perfumaria mundial. A composição de óleos essenciais é semelhante, mas as características olfativas são diferenciadas pela forma de produção. Também por esse motivo a 4711 é bem mais barata que a Farina 1709
A empresa foi vendida para a Wella em 2003 e depois passou a pertencer a Procter & Gamble. Mas em 2007 a P&G a vendeu à perfumaria Mäurer & Wirtz, voltando a ser uma empresa alemã.

Em 1806, Jean Marie Joseph Farina, um descendente de Johan Maria Farina, levou consigo a fórmula da aqua mirabilis, modificou-a ligeiramente e abriu uma perfumaria em Paris. Em 1862 Armand Roger e Charles Gallet compram a perfumaria situada na Rue Saint Honoré, em Paris. A Roger & Gallet detém os direitos da Jean-Marie Farina Eau de Cologne Extra Vieille.

A única mudança ocorrida na Farina gegenüber foi a introdução de uma tulipa vermelha como seu logotipo em 1924. A empresa continua a vender sua “água de luxo” para mas classe mais altas na era do perfume barato. Ela ocupa um nicho de mercado resistente e sua sobrevivência é garantida por uma clientela exclusiva.
Ainda produzida como há 300 anos, de acordo com a receita original, a Eau de Cologne vai continuar a cativar os sistemas ofativos em todo mundo no futuro.




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