Kölnisch Wasser ou Água de Colônia
Em 1708, Giovanni Maria Farina escreveu a seu irmão Jean
Baptiste: “Eu encontrei uma fragrância que me faz lembrar de uma manhã de
primavera italiana, de narcisos da montanha e de flores de laranjeira depois da
chuva, que me refresca e estimula os meus sentidos e minha imaginação.”
Para sua fabricação, Farina experimentou uma nova técnica: sobre
uma base de álcool muito concentrado diluiu óleos essenciais de limão, laranja,
bergamota, cidra, toranja e uma mistura secreta de ervas. Com isto criou-se um
novo conceito no setor de perfumes: o da colônia, um composto no qual a
proporção de óleos de perfume de origem vegetal oscila entre 5% e 10%.
A Farina 1709 Original Eau de Cologne fabricada
pela empresa Johann Maria Farina gegenüber dem
Jülichs-Platz foi criada pelo italiano Giovanni Maria Farina
(1685–1766) no início do século XVIII. Giovane adotou o nome alemão
posteriormente. Este aroma foi bastante inovador, pois se tratava de uma
fragrância muito fresca em contraposição aos carregados perfumes (sobretudo
franceses) que se usavam naquele período.
Numa época em que banhos eram esporádicos por acreditar-se
que a água transmitia doenças, e a peste rondava a Europa, a aqua
mirabilis criada por J. M. Farina fez grande sucesso. Os perfumes de
então tinham por base canela, sândalo e almíscar, o que muitas vezes
intensificava o mau odor das pessoas. A fórmula também era indicada para
halitose, furúnculos, e dores em geral. Assim a aqua mirabilis era
usada para perfumar e curar!
Batizada de Eau de Cologne, em nítida homenagem
a cidade de Colônia, a loja da Obenmarspforten foi inaugurada em 1723 em
frente à Prefeitura e abriga agora o Museu do Perfume.
Hoje em dia a oitava geração da família Farina ainda produz o
mesmo perfume de acordo com a receita original que está patenteada e é guardada
a sete chaves. A Farina gegenüber é a mais antiga fábrica de
perfumes do mundo em funcionamento. Em razão da Eau de Cologne a
cidade de Colônia foi reconhecida na Europa entre os séculos XVIII – XIX como
“Cidade das Fragrâncias”.
Guerra contra a pirataria
No século XVIII ainda não
existiam direitos autorais, portanto, muitas pessoas começaram a copiar o a
água de colônia, inclusive utilizando o nome Farina na embalagem.
Neste período mais de 25
empresas também compraram o direito de utilização, resultando em um grande
número de falsos fabricantes a Eau de Cologne Farina. Todos produziam
suas próprias águas de colônia e copiavam a embalagem e o nome do produto, mas
suas fragrâncias não eram tão intensas como a original.
A Farina gegenüber lutou
bravamente contra a pirataria que já existia à época, sendo vitoriosa em 1.200
processos, e liderou a proteção de marcas no Império Alemão. A primeira lei de
marcas entrou em vigor em 1875.
Segundo a lenda, em 1792, Ferdinand
Muehlens recebe de presente de casamento de um monge carthusiano a receita da aqua mirabilis, ele abre um comércio e na rua Glockengasse e vende o elixir. Em 1804 ele adquire o direito para utilizar o nome Farina, de um suposto membro
da família, que mais tarde soube-se não tinha ligação com a família perfumista.
Em 1881 a empresa perdeu o direito de utilização do nome Farina e Muehlens
nomeou sua água de colônia de 4711
Original Eau de Cologne, que era o número da casa onde era fabricada a
água de colônia, na rua Glockengasse.
A 4711 é muito mais conhecida comercialmente
do que a Farina 1709,
tornando-se um clássico da perfumaria mundial. A composição de óleos essenciais
é semelhante, mas as características olfativas são diferenciadas pela forma de
produção. Também por esse motivo a 4711 é bem mais barata que a Farina 1709.
A empresa foi vendida para
a Wella em 2003 e depois passou a pertencer a Procter & Gamble. Mas em 2007
a P&G a vendeu à perfumaria Mäurer & Wirtz, voltando a
ser uma empresa alemã.
Em 1806, Jean Marie Joseph Farina, um descendente de Johan Maria
Farina, levou consigo a fórmula da aqua
mirabilis, modificou-a ligeiramente e abriu uma perfumaria
em Paris. Em 1862 Armand Roger e Charles Gallet compram a perfumaria situada na
Rue Saint Honoré, em Paris. A Roger & Gallet detém os direitos da Jean-Marie Farina Eau de Cologne Extra Vieille.
A única mudança ocorrida na Farina gegenüber foi a introdução de
uma tulipa vermelha como seu logotipo em 1924. A empresa continua a vender sua
“água de luxo” para mas classe mais altas na era do perfume barato. Ela ocupa
um nicho de mercado resistente e sua sobrevivência é garantida por uma
clientela exclusiva.
Ainda produzida como há 300 anos, de acordo com a receita
original, a Eau de Cologne vai continuar a cativar os sistemas
ofativos em todo mundo no futuro.
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