Está em exposição no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, Joan Miró – a força da matéria que pode ser vista até 16 de agosto. A parceria com a Fundação Joan Miró de Barcelona tornou esta a maior exposição do artista, falecido aos noventa anos de idade em 1983.
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| Personnage, oiseau I, 1973 © Successió Miró/AUTVIS, Brasil 2015 |
Joan Miró nasceu em Barcelona, em 1893, na Catalunha, e ainda muito jovem participou das vanguardas artísticas que agitaram a vida cultura espanhola no início do século XX. Desde o início, Miró praticou a pintura de colorido intenso, com forte influência do movimento fauvista, que na França, teve como seus principais expoentes os artistas Henry Matisse e Maurice de Vlaminck.
Uma grave doença levou-o a passar uma longa fase em Montroig. Nesse período, resolveu dedicar-se inteiramente à pintura. A vida, o trabalho no campo e a forte paisagem da região exerceram grande influência na formação de sua linguagem plástica.
Miró viajou a Paris pela primeira vez em 1920 e o impacto artístico e cultural da cidade sobre ele foi de tal ordem que permaneceu sem pintar durante toda a sua estadia parisiense. Entretanto, se aproximou das artes de vanguardas: conheceu o revolucionário cubista Pablo Picasso e impressionou-se com as ideias de Tristan Tzara, o agrande agitador do movimento Dada, fez amizade com André Masson e inúmeros intelectuais.
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| Fotografia de Joaquim Gomis, 1942 |
André Breton, líder do movimento surrealista afirmou que "Miró é o mais surrealista de todos nós", ao se referir aos outros artistas membros daquele movimento. Miró nutre grande simpatia pelo movimento, mas permaneceu sempre independente. A liberdade será, durante toda a sua vida, um modo de pensar e pintar.
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Homem, mulher, pássaro, 1959 © Successió Miró/AUTVIS, Brasil 2015
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Os visitantes poderão conferir 112 obras do artista espanhol, sendo 48 delas de colecionadores e duas inéditas. As obras dividem-se em 41 pinturas, 22 esculturas, 20 desenhos, 26 gravuras e 3 objetos, além de fotografias sobre a trajetória do pintor catalão.
As peças pertencem à Fundação Joan Miró e a coleções particulares. A organização da exposição ficou a cargo de Joan Punyet Miró, neto do artista, que por diversas vezes viu o avô compor suas obras, dando vida e sentimento através das cores.
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| Mulher na noite, 1973 © Successió Miró/AUTVIS, Brasil 2015 |
A exposição divide-se em três grandes blocos cronológicos que coincidem com momentos vitais do artista nos quais vai outorgarà matéria um papel preponderante.
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| Cabeça na noite, 1968 © Successió Miró/AUTVIS, Brasil 2015 |
Nos anos 30 e 40 as pinturas e desenhos da época da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Guerra Mundial manifestam o início do interesse de Miró pela matéria. No período, seu caráter transgressor também se evidencia, sobretudo no terreno dos procedimentos técnicos.
Foi no final dos anos 20 que Miró manifestou de forma explícita seu propósito de "assassinar a pintura", referindo-se a intenção de terminar com a concepção clássica da pintura de cavalete. É neste momento que Miró começa a fazer suas conhecidas colagens e objetos a partir de assemblage de materiais diversos.
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| Grupo de personagens no bosque, 1931 © Successió Miró/AUTVIS, Brasil 2015 |
Já nos anos 50 e 60, com a presença maior de técnicas diversas, destaca-se o interesse continuado do artista pela experimentação da matéria, que o levará a trabalhar de forma profusa no campo da escultura, enquanto nos anos 70 verifica-se como Miró, sobre suportes inusitados, segue questionando o sentido final da arte. Neste período, uma importante coleção de gravuras indica a destreza do artista a desafiar os padrões da técnica.
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| Dois personagens caçados por um pássaro, 1976 © Successió Miró/AUTVIS, Brasil 2015 |
Em Joan Miró - A Força da Matéria, segundo os curadores da Fundação, busca-se evidenciar o desafio que, desde os anos vinte, o artista manteve com as artes plásticas do mundo ocidental por seu afã ilusionista, para recuperar as qualidades espirituais e mágicas que a pintura e as artes em geral haviam tido na Antiguidade.
Mas se você não puder ver a exposição em São Paulo, agende-se para vê-la em Florianópolis, onde estará em cartaz no MASC – Museu de Arte de Santa Catarina, de 02 de setembro a 14 de novembro.
Fonte para texto e imagens
AUTVIS
Brasil Post
Fundació Juan Miró
Instituto Tomie Ohtake